O Development Initiatives, instituto de pesquisa britânico, em parceria com a Gestão de Interesse Público, lançou um relatório que explora os fluxos internacionais públicos de financiamento climático dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. Ele também busca analisar como a relação entre mudanças climáticas e a pobreza está refletida em como são fornecidos e distribuídos estes financiamentos.

Principais conclusões

As mudanças climáticas estão entre os maiores desafios globais de desenvolvimento do século XXI.  De uma escala global à local, afetam e ameaçam o desenvolvimento econômico e humano. Suas consequências podem prejudicar os esforços no sentido do desenvolvimento sustentável, incluindo os progressos para erradicação da pobreza. Os vínculos entre as alterações climáticas e a pobreza são reconhecidos nos processos globais, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas. Mas até onde essas ligações são reconhecidas na distribuição do financiamento público internacional do clima?

O relatório estima que o montante total do financiamento público internacional do clima que fluiu para os países em desenvolvimento em 2014 foi de US$ 48,9 bilhões. O avanço do apoio das instituições de financiamento ao desenvolvimento e da ajuda pública ao desenvolvimento (ODA) voltada para a mudança climática sugere o reconhecimento da inter-relação entre as mudanças climáticas e a pobreza.

Contudo, a esta conexão ainda não é refletida nas alocações de financiamento climático:

Pouco menos de metade da população mundial que vive em extrema pobreza está localizada em países vulneráveis ​​às mudanças climáticas. Apesar disso, as alocações de financiamento de adaptação não dão prioridade aos países mais vulneráveis ​​aos seus impactos. Estas regiões apresentam menores receitas internas para poder desenvolver as capacidades de resposta a esses eventos e recebem algumas das menores quantias de financiamento de adaptação.

Embora os financiamentos para mitigação sejam distribuídos proporcionalmente aos padrões de emissões de gases de efeito estufa, falta apoio a diversos países com necessidades significativas de mitigação e que apresentam relativamente poucos recursos domésticos, como a República Democrática do Congo e a Nigéria.

O relatório destaca que os limitados recursos de adaptação disponíveis não estão sendo distribuídos onde as necessidades são maiores. Argumenta que tais avaliações devem informar futuras decisões sobre a atribuição de financiamento climático e outros recursos, em particular a ODA. Ele também afirma que, embora o financiamento de mitigação não objetiva atingir os mais pobres, é vital que as estratégias de mitigação sejam desenvolvidas com uma consciência aguda do seu impacto sobre as populações pobres.

Por último, o relatório demanda a disponibilizada de melhores dados sobre os recursos e os seus impactos, bem como sobre a distribuição da pobreza e da vulnerabilidade. Isto ajudaria a uma melhor compreensão das vantagens comparativas da multiplicidade de mecanismos e programação de financiamento climático. É também necessária maior visibilidade sobre todos os financiamentos climáticos para melhor informar os esforços de rastreamento e responsabilizar os compromissos de financiamento existentes e futuros dos doadores.

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